Com a maturidade, grande parte dos homens, experimentará o crescimento benigno da próstata (HPB). Este aumento é responsável por alterações no padrão miccional (da forma como o homem urina).
Por ser comum com o avanço da idade, erroneamente, muitos homens acham normal sofrerem dos sintomas relacionados à HPB.
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é caracterizada pelo aumento prostático decorrente da proliferação não cancerígena de células da próstata na região em torno da uretra.
Tal crescimento ocorre por estímulos hormonais e é mais evidente a partir da quinta década de vida.
O crescimento da próstata é o responsável pela maioria dos sintomas e/ou alterações do padrão urinário de homens mais maduros.
Os sintomas mais comuns relacionados à HPB são dividas em sintomas obstrutivos, a saber: jato fraco, jato intermitente, hesitação em iniciar a micção, gotejamento pós-miciconal. E sintomas de armazenamento, como: urgência miccional, sensação de esvaziamento vesical incompleto, frequência urinária elevada e noctúria (urinar diversas vezes à noite).
O conjunto desses sintomas, chamado de LUTS (sigla para Lower Urinary Tract Symptoms), não afeta somente a qualidade de vida do homem e de sua família, mas também pode aumentar o risco de complicações significativas e dispendiosas à saúde masculina a longo prazo, como retenção urinária aguda (RUA), hospitalizações e cirurgia.
A seleção do tratamento deve considerar a avaliação clínica do indivíduo, a capacidade do tratamento de modificar os achados, as preferências individuais do paciente e as expectativas quanto ao início de ação, eficácia, perfil de efeitos adversos, qualidade de vida e progressão da doença.
No entanto, de forma mais ampla, o tratamento contempla as seguintes estratégias:
Modificações comportamentais e alimentares
Envolve educação sobre a condição do paciente, desmistificação sobre os sintomas urinários, monitoramento regular e orientações sobre o estilo de vida, como: diminuir a ingestão de líquidos em momentos que podem ser inconveniente o aumento da frequência urinária; moderar a ingestão de cafeína e álcool; usar técnicas de relaxamento e a prática da dupla micção; realizar ordenha uretral para reduzir o gotejamento pós-miccional; revisar os medicamentos em uso, ajustando o horário de administração ou substituindo por alternativas com menor impacto urinário, principalmente no caso de diuréticos; garantir suporte adequado quando houver limitações de mobilidade, destreza ou comprometimento cognitivo; tratar a constipação; evitar a ingestão de líquidos antes de deitar-se para dormir.
Terapia medicamentosa
Os medicamentos utilizados para o tratamento de HPB / LUTS são divididos em algumas classes, as quedas podem ser utilizadas de forma combinada.
A primeira linha de tratamento medicamentoso inclui os chamados alfa-bloqueadores. Esta classe de medicamentos promove o relaxamento do tecido muscular da próstata e bexiga e, por conseguinte, propicia uma melhora do padrão miccional. Apesar de apresentarem rápida resposta após o início do uso, os alfa- bloqueadores não conseguem sozinhos evitar a progressão da HPB.
Com a progressão da HPB / LUTS, uma segunda linha de tratamento é geralmente iniciada, a chamada terapia combinada, a qual inclui os alfa-bloqueadores e os inibidores da 5—alfa redutase (essa classe atua no crescimento da próstata ao bloquear a conversão da testosterona em dihidrotestosterona). Essa combinação, além de promover a melhora do padrão urinário, consegue atuar sobre a progressão da HPB.
Outras classes medicamentosas como os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (Ex.: tadalafila), os anticolinérgicos (Ex.: oxibutinina, solifenacina, etc) e os beta 3 - agonistas (Ex.: mirabegrona) podem ser utilizados no contexto da HPB em algumas situações, como coadjuvantes do tratamento.
Tratamento cirúrgico
Na falha do tratamento medicamentoso ou caso complicações relacionados à HPB / LUTS ocorram, o tratamento cirúrgico é a opção terapêutica preferencial.
O tratamento cirúrgico possui uma miríade de técnicas, cada uma com taxas de sucesso, critérios de indicação, limites de empregabilidade e taxas de complicações específicas.
Aqui iremos mencionar aqueles mais empregadas no nosso meio.
Ressecção transuretral da próstata (RTUp) - mais utilizada no passado continua sendo uma técnica muito empregada em muitos centros. Nessa técnica, o urologista inseri um instrumento na uretra masculina, no paciente anestesiado, e realiza uma espécie de raspagem do interior da próstata, promovendo a desobstrução da uretra.
Vaporização de plasma - utilizando o mesmo princípio da RTUp, essa técnica utiliza uma espécie de “botão" na ponta do endoscópio introduzido na uretra para produzir vaporização do tecido prostático.
Enucleação com laser - essa técnica minimamente invasiva por via uretral utiliza fibras de laser (HOLEP / ThuLEP) para remover todo o tecido prostático que cresce ao redor da uretra, promovendo uma desobstrução mais ampla da uretra e, desta forma, melhora do padrão urinário.
Rezum - essa opção terapêutica tem maior empregabilidade naqueles homens com HPB / LUTS, com próstata não tão volumosas e que desejam manter o máximo de sua ejaculação. Nessa cirurgia jatos de vapor de água são injetados dentro da próstata e isso produzirá morte de parte do tecido em torno na uretra sem teoricamente afetar a parte prostática responsável pela saída do ejaculado.
Enucleação cirúrgica da próstata - essa abordagem cirúrgica é realizado por via abdominal, seja por técnica aberta ou cirurgia robótica. Geralmente empregada em próstata muito volumosas, onde o urologista removerá cirurgicamente todo o tecido crescido no interior da próstata. Isso produz uma melhora importante do padrão urinária, bem como uma resposta terapêutica duradoura. O emprego da cirurgia robótica neste cenário, conferiu a técnica uma recuperação mais rápida, com menos sangramento e menor tempo de uso de sonda.
Avaliação clínica, exame de toque retal, PSA, ultrassonografia e estudo do fluxo urinário. Em alguns casos, exames mais detalhados como urodinâmica podem ser necessários.
Não há prevenção específica, pois está relacionada ao envelhecimento. No entanto, acompanhamento regular permite intervenção precoce e evita complicações.
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