A prostatectomia radical é um dos principais tratamentos com intenção curativa para o câncer de próstata. Com o avanço da cirurgia robótica, a recuperação tornou-se mais rápida, com menor dor, menor perda de sangue e retorno mais precoce às atividades. No entanto, o sucesso do tratamento também depende dos cuidados adotados no período pós-operatório.
Neste artigo, você entenderá quais são os principais cuidados após a cirurgia, o que é esperado durante a recuperação e quando procurar seu urologista.
Como é a recuperação após a prostatectomia radical?
A maioria dos pacientes permanece internada entre 24 e 48 horas após a cirurgia. Durante esse período, a equipe médica acompanha a recuperação da anestesia, o controle da dor, a alimentação e a mobilização precoce.
Na cirurgia robótica, normalmente o paciente já consegue caminhar poucas horas após o procedimento, o que reduz o risco de trombose, melhora a função intestinal e acelera a recuperação.
A importância da sonda urinária
Após a retirada da próstata, é necessário reconstruir a ligação entre a bexiga e a uretra. Para proteger essa sutura durante a cicatrização usa-se uma sonda urinária (cateter vesical), geralmente por 7 a 14 dias.
Durante esse período é importante:
Manter a sonda sempre abaixo do nível da bexiga.
Evitar dobras ou obstruções na mangueira.
Higienizar diariamente a região genital.
Manter boa hidratação.
Observar a cor da urina.
É normal haver pequenos episódios de sangue na urina, principalmente após caminhar ou realizar algum esforço leve.
Controle da dor
A dor após a cirurgia robótica costuma ser leve a moderada e geralmente responde bem aos analgésicos prescritos.
Alguns pacientes relatam:
desconforto abdominal;
dor nos pequenos cortes;
sensação de peso na pelve;
desconforto causado pela sonda.
Caso a dor aumente progressivamente ou não melhore com a medicação, é importante informar o médico.
Alimentação
Nos primeiros dias, recomenda-se uma alimentação leve e rica em fibras.
O objetivo é evitar prisão de ventre, que pode aumentar o desconforto e provocar esforço excessivo para evacuar.
São recomendados:
frutas;
verduras;
legumes;
cereais integrais;
bastante ingestão de água.
Em alguns casos, o médico pode prescrever laxativos suaves.
Caminhar faz parte do tratamento
O repouso absoluto não é recomendado.
A caminhada precoce:
reduz o risco de trombose venosa;
melhora a circulação;
acelera o funcionamento do intestino;
favorece a recuperação geral.
O ideal é realizar pequenas caminhadas diversas vezes ao dia, aumentando gradualmente a distância conforme a tolerância.
Atividades físicas e esforço
Nas primeiras semanas, deve-se evitar:
levantar peso;
exercícios de alta intensidade;
corrida;
bicicleta;
atividades que aumentem muito a pressão abdominal.
Normalmente, atividades leves podem ser retomadas após algumas semanas, enquanto exercícios mais intensos dependem da avaliação do urologista.
Exercícios para fortalecer o assoalho pélvico
Após a retirada da sonda, alguns pacientes apresentam perda urinária temporária.
Os exercícios do assoalho pélvico (exercícios de Kegel), quando orientados por um fisioterapeuta especializado, ajudam a acelerar a recuperação da continência urinária.
Em muitos casos, a fisioterapia pélvica iniciada precocemente reduz o tempo necessário para recuperar o controle da urina.
Recuperação da função sexual
A recuperação da ereção varia conforme diversos fatores, como:
idade;
função erétil antes da cirurgia;
presença de outras doenças;
preservação dos feixes nervosos durante o procedimento.
Mesmo quando os nervos são preservados, a recuperação pode levar meses.
Por isso, muitos pacientes se beneficiam de um programa de reabilitação peniana, que pode incluir medicamentos, dispositivos a vácuo e outras estratégias individualizadas.
É importante lembrar que a retirada da próstata provoca ausência de ejaculação, mas isso não impede a ocorrência do orgasmo.
Quando procurar seu médico?
Entre em contato imediatamente caso apresente:
febre acima de 38°C;
dor intensa;
dificuldade para drenagem da sonda;
sangramento intenso com coágulos persistentes;
saída da sonda;
inchaço importante nas pernas;
falta de ar;
dor no peito.
Esses sinais podem indicar complicações que necessitam de avaliação médica.
Acompanhamento após a cirurgia
Após a prostatectomia radical, o acompanhamento é fundamental.
Além da avaliação clínica da recuperação, será solicitado o exame de PSA. Após a retirada completa da próstata, espera-se que o PSA fique em níveis muito baixos ou indetectáveis. Esse exame é a principal ferramenta para monitorar a eficácia do tratamento e detectar precocemente uma eventual recorrência da doença.
Conclusão
A prostatectomia radical, especialmente quando realizada por cirurgia robótica, oferece excelentes resultados no tratamento do câncer de próstata. Entretanto, uma boa recuperação depende da combinação entre uma cirurgia bem executada e o comprometimento do paciente com os cuidados pós-operatórios.
Seguir corretamente as orientações médicas, manter uma mobilização precoce, alimentar-se adequadamente, realizar os exercícios indicados e comparecer às consultas de acompanhamento são atitudes que contribuem para uma recuperação mais rápida e segura.